No Princípio era o Verbo

kirk_2O concerto começava às 19h e nós chegámos ao recinto passava pouco das 18h. O nosso motorista, um simpático cavalheiro a completar a oitava viagem até ao Sun Trust Park, deixou-nos em frente à bilheteira. Saltámos do Audi e corremos em direcção ao estádio para levantarmos os convites.

Assim que passámos pela segurança, descemos os degraus e ficámos de frente para o bem tratado relvado dos Bravos de Atlanta. Fui ao bolso, tirei o telemóvel e liguei ao meu contacto junto da promotora do concerto. Combinámos um encontro ao lado do vendedor de cachorros-quentes ali para os lados da terceira base. Impedido de descer as escadas até mim por um grupo de adolescentes a tirar selfies junto aos seguranças, acenou-me com um chapéu verde, indicando-me o caminho à distância. Subi umas escadas, desci outras, e quando dei por mim estava no relvado do novinho diamante dos Atlanta Braves.

O rapaz do chapéu verde encaminhou-me para junto dos restantes fotojornalistas. As ordens eram para esperarmos até os seguranças nos deixarem entrar. As regras eram claras: íamos ter acesso ao fosso que separava o palco da primeira fila durante três músicas. Podíamos percorrer o fosso de uma ponta à outra, mas o uso do flash era proibido. Assim que acabámos de receber as instruções, “The Ecstasy of Gold” começou a tocar no estádio.

james_1Em 2010, no Alive, também fora assim. E muitas outras vezes antes e muitas outras depois, o clássico que marca o melhor dos spaghetti western de Sergio Leone serve de introdução ao nome mais forte da música pesada.

Corremos para o palco e desatámos a tirar fotografias dos quatro de São Francisco. Com 40 mil gargantas a gritar atrás de mim, foquei-me nos quatro músicos em cima do palco. Começaram com dois temas novos, mas antes que os seguranças me pudessem mandar embora tocaram um dos meus favoritos: “For Whom The Bell Tolls”.

kirk_1As emoções que vivi nessa noite enquanto os Metallica derretiam o palco deixaram marcas – pode-se dizer que tive uma epifania. O concerto chegou uma noite depois de eu ter começado uma pausa numa carreira jornalística com quase 10 anos e uma noite antes de fazer 1700 km rumo a uma nova cidade. Livre das amarras da redacção decidi, nessa noite, enquanto tocava air guitar com o Kirk, que iria voltar à blogosfera.

O meu querido Eclipse fica para trás e chega-se à frente este Brain Damage, que se quer dedicado às coisas pelas quais eu me interesso: música, cinema, actualidade e, claro, o Benfica. Let there be light.

robert_1

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